14 de outubro
A consciência é uma peneira de malha fina – está é a metáfora que eu elaborei para consciência.
O núcleo significativo é filtrar. Filtrar o que é matéria grossa, ruído exagerado. Sem esse filtro, a sobrecarga de informação seria insuportável.
A malha fina deixará passar (em termos ideais) o que é importante no momento e na intenção.
O sentido da metáfora é claro, sugere uma imagem visual bem definida, animada pelo movimento – o movimento de peneirar.
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Publiquei, há pouco tempo, um conto para crianças, numa antologia. Deixo a primeira parte:
Tan-tan-tan
O Luís vivia numa quinta muito bonita.
Ele adorava o campo, amava os pais e, embora, às vezes tivesse ciúmes, gostava da irmã.
Mas tinha um grande, grande desejo de aprender música. E não havia nenhuma escola por perto.
A avó que vivia sozinha na cidade já falara que ele poderia ir viver com ela. Essa ideia enchia-lhe o coração, mas para não ver os olhos dos pais a ficar tristes, tristes… calava-se.
Na escola já aprendera os sons das notas musicais e tinha encontrado um jeito de ligar a cada dedo uma nota. O mindinho era o dó, o anelar o ré e assim por diante. De forma que tamborilava com os dedos sobre a mesa e cantava o som. Já conseguia tocar a música do melro que ouvia todos os dias.
Parecia pouco, mas era muito o que o Luís fazia.
Às vezes, não podia tamborilar porque os adultos não gostavam. Então ficava quieto, mas o som continuava na sua cabeça.
(continua)