Dia 9

data: 21 de outubro

A arte de viver “esperas”.

Estar parado no tempo (ou sentir-se parado) pode gerar angústia – o tempo é sentido como algo amorfo.

Aprender a dar-lhe forma é importante.

A meio da manhã, vou interromper o que estou a fazer:

tomo um chá quente, faço um telefonema, leio um poema curto, abro a janela e tomo consciência da respiração, como um chocolate, faço um pequeno passeio, ouço uma música, evoco uma memória feliz…

Ao parar a meio da manhã e fazer algo diferente, crio um marco – o cérebro gosta de marcos mesmo que sejam simbólicos.

Quando há algo à frente pelo qual se espera, a manhã deixa de ser um espaço sem definição – passa a haver um antes e um depois.

Passa a haver uma expetativa. Mesmo leve a expetativa cria energia.

As esperas conscientes têm como objetivo o bem estar, não podem tornar-se uma obrigação.

Poderemos fazer da espera um pequeno ritual. O ritual acalma.

………………………………………..

(continuação da publicação anterior)

Na véspera dos seus sete anos, estava quase a adormecer, apareceu ao lado da sua cama um velho de barbas brancas e olhar bondoso que lhe disse:

– No momento certo, a tua música vai chegar. Tens de esperar e continuar o teu sonho.

O Luís ficou sem saber se deveria ficar assustado ou contente, mas logo deixou de o ver.

 No dia seguinte, prometeu a si próprio que não esqueceria a música.

Estava já no quarto ano quando apareceu na sua escola um músico que procurava meninos que tivessem o dom para tocar.

Foi escolhido mal tocou com os dedos a música do melro.

Os olhos dos pais alegraram-se quando lhes chegou a notícia.

No ano seguinte, ele iria para a cidade aprender música.

……………………………………………………………..

Voltaremos à consciência.