Recordemos o texto de “Os Criadores” já citado:
“….No lugar onde a lança se espetou a água salgada coagulou numa ilha, onde ambos dormiram juntos.”
Os alquimistas chamavam Coagulatio à passagem de um elemento liquido ou gasoso a sólido e consideravam-na a base da criação.
“…Em termos essenciais, a coagulatio é o processo que transforma as coisas em terra…
…Costuma equiparar-se a coagulatio com a criação.”
(de: Edward F. Edinger – Anatomia da Psique)
A materialização é, assim, um sentido em direção à terra (ao material).
Num outro nível (menos concreto) poderemos falar de materialização quando realizamos um projeto literário, científico ou de outra natureza – neste caso, a matéria será informação, ideias – e a materialização será a concretização do projeto.
As imagens perturbadoras que se relacionam com dificuldade de materializar referem terrenos alagados, terra sem consistência, areias movediças que ameaçam engolir e remeter ao informe. O medo de regressar ao informe, à matéria primeira, de sofrer os tormentos por que ela passou, pode ameaçar de forma severa.
Podem, ainda, indicar dificuldade em colar.
Quando queremos materializar ( no concreto ou abstrato) teremos de neutralizar estas imagens (se nos apercebermos delas). Uma forma de o fazer é, justamente, desmaterializar.
Trabalhar o barro, amassar, modelar, fazer andar a forma na roda é uma maneira efetiva de ilustrar, no concreto, o percurso da matéria para do informe chegar a uma forma. Não precisamos de ser artistas nem de criar formas originais para vivenciarmos o processo e o explicitarmos.
Para que a forma que criarmos, a partir do barro, permaneça, terá de ser seca ao sol ou ir ao forno cozer. Neste momento atinge uma materialidade plena. A reversibilidade deixa de ser possível.