Vou falar da escrita de crónicas como forma de desenvolver a reflexão.
A crónica parte de uma cena, imagem, memória, pergunta – às vezes comum – e abre um espaço para pensar.
O fim da crónica é abrir este espaço, não é procurar uma resposta fechada.
Observando e refletindo, a mente de quem escreve crónicas vai evoluindo para uma nova organização do pensamento – vai estimulando novas ligações mentais.
A crónica exige um ponto de vista,
Articula emoção e ideia,
Desenvolve a capacidade de síntese.
Neste percurso que mais parece um andar à volta, surgem, às vezes, dados novos e até insuspeitos.
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“Os enigmas apaixonam-nos e desejamos com frequência que nos mostrem um para fantasiarmos sobre ele. Porém, não sabemos ver os que temos perto de nós. Por exemplo, o tempo. Não há nada mais familiar e conhecido do que a passagem do tempo, mas alguém seria capaz de dizer de forma fácil e breve em que é que consiste?”
(de: Alguém falou sobre nós – O tempo voa – de Irene Vallejo)
Proposta: escrever uma crónica a partir de uma interrogação (poderá ser esta ) ou outra que faça mais sentido.
A pergunta será o motor do texto.
O tamanho será médio.
A observação e a reflexão serão as ferramentas.
A crónica acabará quando a reflexão atingir um ponto com sentido. Não há lugar para outras ideias (mesmo que sejam originais).
Nota: podemos associar, de forma simbólica, esta abertura a uma fenda – uma fenda com sentido positivo.