A crónica tem tamanhos mais ou menos definidos. A crónica média tem entre 300 e seiscentas palavras.
Mais longa é aconselhada para desenvolver um tema.
Curta, pode ser a melhor forma de refletir sobre uma imagem forte.
A crónica média é o formato mais usado. Pode conter uma pequena narrativa e terminar com uma reflexão.
É importante o tom escolhido.
…………………………………………………………………………………………..
Quando o autor de crónicas é muito dotado e a sua originalidade não cabe nos compartimentos que definimos, teremos que encontrar compartimentos sem portas – só com portais que nos facilitem a passagem para outro lado.
António Lobo Antunes é um exemplo.
” Odeio os semáforos. Em primeiro lugar porque estão sempre vermelhos quando tenho pressa e verdes quando não tenho pressa nenhuma, sem falar do amarelo que provoca em mim uma indecisão horrível: travo ou acelero? travo ou acelero? travo ou acelero? acelero, depois travo, volto a acelerar e ao travar de novo já me entrou uma furgoneta pela porta…”
(Livro de Crónicas – António Lobo Antunes – A consequência dos semáforos)
Nota: o sentido (positivo) de fenda aproxima-se, por vezes, do sentido de portal – o portal dá passagem para outro mundo.
Sugestão – sentir ar fresco a entrar pelo nariz, a subir. Fruir a sensação de frescura. Senti-la a chegar ao cérebro – a todo o cérebro – e a permanecer.