Data – 28 de outubro
“Essa memória é exclusiva dos seres humanos e está intimamente relacionada com a consciência e a auto-consciência…(1)
– Como é que a autoconsciência, a linguagem e, já agora, o pensamento simbólico estão ligados?
– Não fazemos ideia. Não conhecemos nenhuma ligação entre eles, exceto o facto de não ocorrerem separadamente. Lembra-te de que a linguagem é uma forma de comunicação através de símbolos…”
(de: A Consciência contada por um Sapiens a um Neandertal de J.J. Millás e J.L.Arsuaga)…
Ainda que as opiniões sobre consciência não sejam sempre concordantes, consideramos que a consciência existe sem linguagem. Mas, sem linguagem, a consciência é presença, é sentir indiferenciado. Poderá ser prazer, poderá ser dor.
A linguagem permite o reconhecimento.
Voltemos à metáfora:
a consciência é luz.
A linguagem dá forma a essa luz.
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A linguagem evolui,responde às necessidades dos contextos.
O significado das palavras pode mudar de forma significativa.
Consideremos dois casos:
Apocalipse significa, em linguagem simples, destapar, develar – relaciona-se com clareza não com destruição.
O sentido de destruição deriva da leitura simbólica do Livro do Apocalipse (último livro da Bíblia) que fala de destruição, de fim do mundo.
A palavra apocalipse vem do grego apokalypsis que quer dizer “tirar o véu”.
A palavra vilão significava na Idade Média habitante de uma vila. Com o tempo, a palavra foi associada a falta de maneiras. O preconceito da aristocracia relativo ao habitante da vila está na origem dessa mudança. Mas a literatura e o teatro ajudaram a confirmar o sentido negativo que a palavra tem hoje.
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(1) memória episódica.
A memória episódica permite recordar experiências e acontecimentos específicos com um grande número de pormenores. Pormenores que ajudam a evocar o contexto temporal e/ou espacial.
Continuaremos a falar de linguagem.