Dia 3

data:11 de setembro

Na minha terra, uma aldeia do norte, ouvi muitas vezes dizer que a consciência é a cabeça iluminada. Como metáfora parece-me interessante.

Todos sabemos o que é o cérebro, mas poderemos não saber que o cérebro faz parte do encéfalo. O encéfalo inclui, então, o cérebro, o cerebelo e o tronco encefálico.

O cérebro é formado por dois hemisférios e fica na parte superior do encéfalo. Pesa cerca de um quilo e meio. Apesar de representar uma percentagem pequena do corpo, consome vinte e cinco por cento de calorias.

A cabeça tem relativamente ao corpo um lugar cimeiro e tem ainda um lugar cimeiro no que respeita a importância do que ocorre nos orgãos que a cabeça abriga.

Esta dupla importância justifica a polissemia da palavra cabeça.

Vejamos, então:

além do significado físico, a palavra “cabeça” agrega significados simbólicos, psicológicos, culturais.

Pode significar liderança, sabedoria, poder.

Em contexto psicológico significa pensamento, racionalidade e é considerada a sede da consciência.

Em termos espirituais pode significar iluminação. Culturas antigas atribuíam à cabeça poderes mágicos de força vital, poder e autoridade.

Poderia ser sinónimo de proteção mas também de terror como a cabeça de Medusa.

As expressões ligadas à cabeça na linguagem comum são inúmeras: está de cabeça perdida, não tem cabeça, vive de cabeça levantada, baixou a cabeça, são uma dor de cabeça, à cabeça do documento…

“O cérebro tem entre oitenta e cem mil milhões de neurónios – repetiu. – E cada um interage com cem mil outros sempre que é disparado. Aí tens outro sistema complexo.

– E o que podemos fazer com sistemas complexos?

(de: A consciência contada por um Sapiens a um Neandertal .de J.J.Millás e J.L.Arsuaga)

Voltaremos aos sistemas complexos no próximo dia.