Falarei, agora, de ideias, de informação que considerei matéria, mas num outro plano.
Se temos em mãos um projeto e receamos não ter matéria suficiente ou matéria de boa qualidade, poderemos estar a debater-nos com uma representação (que permanece em pano de fundo) e que evidencia uma carência de matéria ou de boa matéria na história pessoal ou evolutiva.
Poderemos, ainda, ser inquietados por imagens limitadoras que referem dificuldades em colar. Antes de qualquer esforço, teremos de as neutralizar.
Se não temos falta de nada ou nada de essencial, mas o sentimento de não ter se mantém, ver-nos a encher, de forma repetida, um recipiente com matéria, poderá ajudar.
O trabalho em barro poderá ajudar-nos, de novo – procuramos um molde que encheremos de barro, gesso…
O vazio versus cheio pode jogar, aqui, um papel determinante até conseguirmos encontrar um ponto intermédio que nos satisfaça e nos retire da tirania dessa oposição (cheio/vazio).
Quando o sentimento de vazio nos atormenta, temos tendência a ingerir, de forma indiferenciada, matéria – seja comida, ideias… – até experimentarmos o sentimento de cheio que nos reconforta.
Poderemos ainda recorrer a retenções forçadas – isto porque se eliminarmos alguma coisa (mínima que seja), o sentimento de perda (e até de culpa) será pesado.
Se é o cheio que nos incomoda – ou o mal-cheio – recorremos a eliminações desajustadas.
Mas, muito frequentemente, o que nos falta é a organização.
Tentemos várias formas de organização (de preferência sem esvaziar o frigorífico) e a forma certa acabará por surgir.
Procuremos, no concreto, uma tarefa que se relacione com a situação e que nos faça andar para a frente.
A oposição côncavo/convexo encontra sentido neste contexto – enchemos uma forma côncava de matéria – a forma que retirarmos quando a matéria secar, é convexa.
Eu ligo o vazio e o côncavo à depressão.