“Mas , mais seriamente, o que é o riso? Em primeiro lugar, um excelente exercício muscular, respiratório, nervoso…
O impacto de uma cena cómica sobre a minha pessoa manifesta-se primeiro por um ligeiro estremecimento do pequeno zigoma, logo imitado pelo risorius e por uma dezena de outros músculos do meu rosto, incluindo o dilatador das narinas ou orbicular inferior das pálpebras.
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Depois entram em ação os músculos intercostais que levantam o meu tórax e provocam inspirações profundas. A renovação do ar é nesse momento três a quatro vezes superior ao normal. Os meus pulmões expulsam enormes quantidades de ar… o meu coração bate tão depressa como numa corrida de cem metros.
Ao mesmo tempo, os músculos da minhas cordas vocais e da minha laringe contraem-se e descontraem-se .
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Os músculos do meu pescoço e dos meus ombros … entram por seu turno em ação.
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O sistema nervoso parassimpático, que comanda os meus músculos lisos internos, os das vísceras, manifesta-se: o meu músculo cardíaco abranda, as paredes das minhas artérias e dos meus capilares dilatam-se, a minha pressão sanguínea baixa.
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O meu cérebro, no meio disto tudo, não baixou os braços… tudo isto apoiado por jatos de dopamina e de gaba (diminutivo de um ácido… ) saído da substância preta, uma zona interna do cérebro.
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Para mim, o riso é um mecanismo de defesa vital.”
(de: O meu corpo – a primeira maravilha do mundo de André Giordan)
Talvez a ciência tenha já acrescentado ou diminuído os benefícios do riso porque este texto já tem uns anos; mas é revelador e motiva o riso. Se rirmos por encomenda, os benefícios não serão os mesmos, mas poderá ser um ponto de partida.
Rir é humano ainda que os primatas já rissem – à maneira deles. O rir, tal como o vivemos, é nosso.