Pensamento simbólico

No pensamento simbólico utilizamos símbolos (objetos, palavras, imagens) para representar coisas que não estão presentes. Esta possibilidade começa a desenvolver-se pelos seis sete anos quando a criança deixa de estar limitada a estímulos sensoriais e passa a ter possibilidade de representação interna.

O pensamento simbólico foi um significativo diferenciador em termos evolutivos – abriu caminho à expressão artística, à cultura e à organização das sociedades.

Às vezes, utilizamos abstração e pensamento simbólico sem diferenciação. Eles estão ligados, têm uma relação de reforço mútuo, mas a abstração é um processo de generalização (não de representação) – a abstração cria categorias com base nas caraterísticas essenciais das coisas.

O pensamento simbólico tem a sua maior expressão na arte.

Os Cro-Magnons viveram na Europa no Paleolítico Superior.

São considerados autores das pinturas rupestres encontradas em cavernas – como Lascaux em França – ainda que se suponha que já os Neandertais tinham expressão artística.

Quer consideremos estas pinturas arte ou ritual de caça, é certo que a representação interna está lá.

Estes povos competiam – em termos territoriais, mas também alimentares com animais grandes (enormes) e terríveis.

Além de serem corajosos, de terem fabricado armas capazes, o pensamento simbólico terá ajudado na luta – às vezes terror – do dia a dia.

Eram caçadores, mas também poderiam ser presas.

Havia animais com quem disputavam o território, sobretudo as cavernas: leão das cavernas, urso das cavernas…poderiam, ainda, disputar as presas.

 Havia outros de força brutal – mamutes – que esmagariam quem deles se aproximasse.

E, havia, ainda, predadores silenciosos que faziam emboscadas nas florestas ao cair da noite.

Entendamos – a sobrevivência era deles ou dos animais – não havia escolha.

Parece que os ursos grandes e os enormes mamutes voltaram – ou as memórias deles – e passeiam pelas noites de alguns senhores da guerra.

É humano enviar para a morte, milhares de pessoas, por reivindicações territoriais, nos dias de hoje?

Pergunto-me onde começa o humano,

Quando é interrompido,

Ou acaba, simplesmente.