Além da solidez (às vezes dureza extrema) liga-se à materialização, no seu grau primeiro, a cor escura – com a materialização deu-se um escurecimento.
Liga-se ainda o peso – a materialidade é pesada.
Ao aclararmos um objeto, avançamos no sentido da sua desmaterialização. Se, além de o aclararmos, o tornarmos transparente, reforçaremos esse efeito.
Tornar leve aquilo que é pesado (sejam objetos, ou ideias) é, ainda, uma forma de desmaterializar.
Se representarmos um objeto (através do desenho, por exemplo) estamos a desmaterializá-lo, mas conseguiremos um grau de desmaterialização diferente se:
o representarmos a duas dimensões em vez de três,
fizermos um traço grosso ou um com uma ponta fina,
o traço for vermelho ou cinzento.
Também o suporte da representação altera o grau de materialidade – se for na pedra, na areia ou no papel.
A desmaterialização segue o caminho da leveza e cria possibilidades de evolução.
Um objeto de materialidade plena não nos permite avançar para outra forma a menos que a elevemos ao nível do abstrato, alteremos a informação e construamos uma nova forma a partir da anterior.
Os criadores fazem isso, com frequência.
A descoberta pessoal encontra neste contexto muitos desafios. Aceitemos a ocasião e os estímulos que ela nos oferece para desenvolvermos a criatividade e melhorarmos a forma de evoluir.
Iluminar é outra forma de desmaterializar, mas a luz forte e incidente pode desmaterializar de forma dramática.
Esta desmaterialização no sentido do claro, do luminoso aproxima-nos do imaterial.
A evolução parece seguir esse caminho; mas há uma medida certa para a desmaterialização e essa medida é a necessária para conseguir um equilíbrio ( que pode ser momentâneo; mas dar passagem para outro estado).
Não deveremos, porém, queimar etapas – a evolução é um processo lento e não é linear – há avanços e há recuos.
Quando todos já pensávamos que uma guerra, como a que ocorre neste momento, não teria lugar – ela está aí. Com todos os horrores de uma guerra.
Temos um corpo (ou somos um corpo?) com necessidades e desejos bem materiais.
Poderemos sentir a desmaterialização como um esvaziamento que, em casos extremos, poderá deprimir.
