Volto à minha narrativa.
“A memória molda a nossa identidade
Todos criamos fábulas que alteram o nosso passado para dar significado ao nosso presente. Umas vezes comportamo-nos com excessiva candura (recordamos um passado esplendoroso que se calhar não o foi assim tanto) e outras com demasiada severidade (sentimo-nos tão mais sábios em comparação com o nosso eu do passado!). Pense em que âmbitos é demasiado inocente e em quais é demasiado duro.”
(de: “O poder das palavras” já citado)
Numa outra análise a fazer – passado já algum tempo – analiso se será interessante trabalhar no sentido de reforçar o eu ou no sentido de dissolver alguns aspetos que possam trazer dificuldades.
Se o fio que liga as memórias se mostra frágil ou em risco de partir, reforço a ligação de forma a criar uma narrativa coerente.
Acerto o aqui e agora.
Se identifiquei alguma memória remota (relativa aos que viveram antes de mim ou mesmo relativa à minha infância) que permanece em pano de fundo alterando o aqui e agora, procurarei uma forma de a neutralizar.
Dar-lhe outra significação poderá ser uma estratégia.
Refletir sobre a forma como ela se manifesta eleva o nível de consciência e ajudará certamente.
A minha criatividade pessoal poderá encontrar formas que me façam sentido.
Elaborar uma nova versão numa perspetiva mais otimista ou mesmo de humor poderá fazer-me avançar.
Quando a versão estabilizar porque consegui um ponto de relativo equilíbrio,
deixo o passado ir embora
arrisco olhar o futuro.
